Glosario sobre artefactos explosivos (En portugués)

0 0 PEQUENO GLOSSÁRIO DE TERMOS SOBRE ARTEFATOSEXPLOSIVOS

A leitura dos jornaisbrasileiros do dia 22 de Outubro certamente deve ter estarrecido a opiniãopública, cada vez mais assustada com a ousadia e os recursos postos àdisposição dos criminosos no país. Tentar explodir um carro com dezenas dequilos de alto-explosivo na frente da Bolsa de Valores de São Paulo seria algoque jamais passaria pela cabeça das pessoas. Alguns talvez digam tratar-se de uma iniciativa isolada, mas ofato é que – em que pese a pouca divulgação de tais ações – também no Brasilnão faltam exemplos de ocorrências envolvendo o emprego terrorista de artefatosexplosivos. Em Março de 2002, criminosos paulistas, já teriam tentado,aparentemente sem sucesso mandar pelos ares um carro deixado no Fórum Criminalda Barrafunda. Em Maio de 2001 uma bomba explodiu no Fórum de São Paulo(ferindo três pessoas), sendo seguida por outra (no dia 12 de Junho) nasdependências do Ministério da Fazenda, também na capital paulista. No dia 24 deJulho de 2001, em face da CPI que apura irregularidades na cobrança dosimpostos prediais e territoriais urbanos, uma bomba explodiu num balcão dosetor fazendário, no interior da Prefeitura do Rio de Janeiro, a qual já temtriste histórico de bombas. Em Setembro de 2001, na Baixada Fluminense (RJ)criminosos, na tentativa de arrombar o cofre de caixa eletrônico, simplesmentepulverizaram a estrutura que distava poucos metros de um posto de gasolina. Em que pese que os nossos“terroristas” ainda não tenham apresentado êxitos tão espetaculares quanto seuscongêneres da Máfia ou dos Cartéis Colombianos eles por certo não ficarão como “aprendizes”para sempre.

O problema é sério e muitomais grave do que os adolescentes que, com fórmulas básicas extraídas daInternet, explodem banheiros de colégio. Vemos todos os dias nos jornais umexemplo dos armamentos sofisticados que o dinheiro sujo das drogas faz surgir àrevelia da repressão dos órgãos de segurança; e o cidadão comum já deve sepermitir imaginar como seria fácil fazer com que tal capital fosse transformadoem explosivos como dinamites ou mesmo compostos processados com base em fertilizantes,os quais estão à disposição de qualquer produtor rural. Hoje, além de contarcom armas , munições e equipamentos de comunicações sofisticados, também osplanejamentos dos nossos criminosos parecem estar se beneficiando do “Know-how”estrangeiro. Talvez isso reflita a integração entre os criminosos(particularmente os traficantes de drogas) e grupos terroristas, bastante bemrepresentado pela prisão recente, naColômbia, de militantes procurados do Exército Republicano Irlandês. No mundo ditoglobalizado, aquilo que hoje acontece com no exterior, poderá ser repetidoamanhã, contra os alvos potenciais que estivermos protegendo aqui no Brasil.

Em Agosto de 2001, a políciado Rio de Janeiro já apreendia com um cúmplice de Fernandinho Beira-Marcentenas de quilos de dinamites, cordéis detonantes, espoletas (elétricas epirotécnicas) e pólvora negra… Isso é terrivelmente sintomático. No ramo dasegurança, ao contrário das ciências naturais ou estatísticas, o fato de umamodalidade de evento (no caso de umcarro bomba, por exemplo) não ter se processado até a presente data, nãoassegura a impossibilidade de sua ocorrência, apenas indicando que a mesma, porfatores às vezes imponderáveis, ainda não foi tentada. Devemos nosconscientizar de que travamos uma batalha constante contra um inimigo violento,que não conhece limites e que vai tentar surpreender sempre. Na atualconjuntura, o êxito de qualquer atentado aqui apenas dependerá da sorte ou competênciaparticular de seus executores. Muitas vidas se perderão, somadas a muitos danoscolaterais, apenas pela total ausência de uma cultura prevencionista no âmbitoda segurança. Em seu inconsciente coletivo as pessoas preferem apegar-se àidéia de que o Brasil é um país tranqüilo, verdadeiramente abençoado por Deus,de povo ordeiro e pacífico….

Qualquer sociedade que pretendasobreviver no Mundo “pós- 11 deSetembro”, precisa deixar a miopia romântica de lado e estar prevenida paralidar com ocorrências dessa natureza, as quais – hoje – se configuram tão possíveisquanto prováveis. Na Colômbia, um único atentado à bomba numa igreja resultouna morte de mais de uma centena de pessoas. Em Israel, em Março de 2002, só adivina providência frustrou um atentado empregando uma bomba num caminhãotanque cheio, estacionado em um depósito de combustível. A bomba destruiu acabine mas, não sendo suficientemente forte para atingir o tanque, provocou umincêndio que foi rapidamente debelado pelos funcionários do depósito. Isso tudopoderia repetir-se aqui!

É importante conscientizarpara o risco e afastar a idéia de que atentados à bomba sejam coisas que apenas acontecem nos outros países. Naatividade de segurança, prioritariamente, deveríamos procurar aprender com oserros dos outros e o exemplo britânico poderia ser suficiente para que nãodesejássemos ver pessoas explodindo com encomendas postais, sacolas de compraem pontos de ônibus ou mesmo com carros bomba em nossos já não tão prósperoscentros financeiros. Todos precisam saber o que esperar e como proceder. Nossosplanejamentos já deveriam estar sendo revistos e atualizados, pois o tempo deinstruir o público é agora, antes de que as bombas comecem a explodir!

Para familiarizar os nossosleitores com este tema, elaboramos um pequeno glossário de termos sobre artefatosexplosivos ou bombas.

ALTOEXPLOSIVO – HE – Substâncias explosivas poderosas que, mesmo transformando seu estadofísico ao ar livre, produzem uma reação extremamente rápida e violenta,denominada de detonação. Em boa parte das vezes são inertes (não explodem ouincandescem sozinhos) e relativamente seguros, necessitando de um agenteiniciador para entrar em reação, no caso, espoletas ou detonadores. Ex.: TNT,RDX, PETN, Composto C-4, Semtex, Dinamite etc…

ARTEFATOS EXPLOSIVOS – O mesmo que Bombasexplosivas. São artefatos manufaturados para causar dano a partir de suaexplosão.

BAIXOEXPLOSIVO – Substâncias de baixo poder como explosivos, passam do estado sólidopara o gasoso com certa lentidão (velocidade subsônica). Normalmente deflagramquando confinados, sendo empregados principalmente nas cargas de propulsão de projéteis, nos rastilhos para osestopins, escavações de terra etc. Ex.: Pólvora negra, pólvora sem fumaça.

BOMBADE NIPPLE – Bomba simples, elaborada com baixos explosivos (pólvoras) confinadasem recipientes fechados e acionada por meio de pavio. A maioria das “granadas”de fabricação caseira obedece a esse mesmo princípios de construção.

BOMBA-RELÓGIO–Artefatos explosivos cuja deto
nação se dá por meio de um temporizador, quetanto pode ser um mecanismo de relojoaria ou um “timer” eletrônico. A vantagemdo emprego de tais bombas é a de permitir que o criminoso se coloque emsegurança muito antes da explosão, a qual pode ser regulada para acontecer emperíodos de doze horas (quando empregando relógios mecânicos) ou até comsemanas de antecedência (com uso de aparelhos de programação de tempoeletrônicos).

BOMBAS – Qualquer engenho explosivo ouincendiário capaz de explodir ou incendiar-se mediante ao recebimento de umestímulo externo apropriado. Consistem de vários elementos combinados numacadeia de disparo completa com iniciador (espoleta ou pavio), carga explosivaprincipal (no caso, alto ou baixo explosivo) e um interruptor, que no caso debombas terroristas normalmente é encoberto por um disfarce.

Bombaardilosamente montada no interior de uma caixa de fita de videocassete

BOMBASDISFARÇADAS – Artefatos que não podem ser identificados como bombas por meio dasimples observação leiga. Há necessidade de exame cuidadoso para se chegar auma conclusão (como por exemplo o emprego de raios-X, análise de vaporesdesprendidos, estetoscópio eletrônico, detecção de partículas metálicas etc).

BOMBASSIMPLES – Artefatos que, uma vez observados, podem instantaneamente ser identificadoscomo bombas.

CARTA-BOMBA – Denominação generalizadade bombas remetidas por via postal. Normalmente são acionadas quando daabertura dos envelopes ou pacotes.


COBERTORDE BOMBAS – Painéis flexíveis, confeccionados com diversas camadas de tecidobalístico resistente (o mesmo dos coletes à prova de balas) que é dispostosobre ou em volta de uma bomba, a fim de minimizar os efeitos da sua explosãoacidental (sopro e estilhaçamento).


CONTENTORDE BOMBAS – Recipiente de alta resistência, normalmente confeccionado em aço, porvezes revestido de concreto, capaz de receber bombas pequenas (de até 2 ou 4 kgde alto explosivo) em seu interior e resistir a sua detonação, eliminando osefeitos destrutivos. Usualmente encontrado em instalações de alto risco, ondeexista o perigo ou histórico anterior de ataques com bombas.

DEFLAGRAÇÃO–Um processo subsônico (de velocidade relativamente baixa) pelo qual um baixoexplosivo (coma a póvora, por exemplo) libera sua energia através de uma queimarápida ou processo de auto-combustão.

DETECÇÃODE BOMBAS – Trata-se da descoberta e a positiva identificação de uma bomba, a qualpode ou não estar baseada nos mesmos processo de detecção de materiaisexplosivos, constituintes das bombas (spectometria iônica, sensoreamentoimunoquímico, cromatografia de gases, inspeção com emprego de animais treinadosetc). Pode ser baseada na busca e na identificação visual de componentes (aolho nú e ao raio-X), na detecção de partículas metálicas etc.

Comequipamento de inspeção de fibra ótica, o técnico

vêpor trás do piso de tábuas e no interior do gravador

DETECÇÃODE EXPLOSIVOS – Qualquer recurso, engenho, pessoa ou animal pode ser empregado nadetecção de explosivos. Como por exemplo incluem-se os spectômetros demobilidade iônica, os aparelhos de raios-X para a visualização de bagagens oupacotes, a combinação de cães treinados e seus condutores, bem como a figura do agente de segurança conduzindouma inspeção manual em volumes, bolsas e maletas.

Detectorde vapores explosivos, aparelho de raios-x fixo e portátil

DETONAÇÃO–É o processo pelo qual um alto explosivo se decompõe e libera sua energia, comuma onda de choque e calor que excede a velocidade do som. A velocidade dedetonação (velocidade da onda de choque) varia de acordo com o tipo deexplosivo empregado e suas características.

DETONADORES – Recurso empregado paraforçar a entrada dos explosivos em reação. Trata-se de um pequeno tubo oucápsula, contendo uma carga explosiva primária, que vai ativar a carga explosiva principal. O mesmo que acionadoresou espoletas.

DINAMITE – Explosivo comercial, sólidoe sintético, empregado em ações de demolição. Embora de uso controlado peloMinistério da Defesa, é de obtenção relativamente fácil pela grandedisponibilidade no meio civil. Normalmente encontrada sob forma de bastonetescilíndricos, envoltos em papéis encerados ou plástico. Como um alto explosivo,não detona sozinho; necessitando de um iniciador, no caso, espoletas elétricasou pirotécnicas.


E.O.D. – Explosive Ordnance Disposal –Sigla inglesa que denomina o trabalho de manuseio e neutralização de artefatosexplosivos.


EQUIPEDE BUSCA – Numa instituição, trata-se do grupo encarregado de proceder umainspeção discreta nas instalações a fim de certificar-se da existência ou nãode artefatos explosivos, obedecendo a um planejamento previamente estabelecido.Não necessita ser composto de especialistas em explosivos, apenas devemconhecer muito bem o local onde atuam, assim como estar familiarizados comdiversos tipos de artefatos passíveis de serem encontrados, seus eventuaisdisfarces, formas de acionamento etc. Ao contrário do que se pensa (eerradamente se faz), é a equipe especialmente treinada (que conhece minúcias dainstalação) e não o esquadrão anti-bombas da polícia local, quem inicialmentedeve proceder a busca no interior da área sempre que houver uma suspeita debomba. Uma vez encontrado um objeto suspeito a área é evacuada e completamenteisolada, a polícia é acionada e assume o comando da ocorrência
.

ESPOLETASELÉTRICAS – Pequenas cápsulas acionadoras cuja iniciação se dá pela passagem decargas elétricas as quais ativam a sua respectiva carga explosiva.

ESPOLETASPIROTÉCNICAS – Cápsula acionadora cuja iniciação se faz por meio de pavioincandescente, o qual ativa a pequena carga explosiva primária.

EXPLOSIVOS–Toda substância, composto ou mistura que, uma vez submetida a um estímuloapropriado (que pode ser calor, choque, fricção etc), mediante uma reaçãoquímica, transforma-se violentamente em gases, com a produção de elevadíssimaspressões e grande desprendimento de calor.

EXPLOSIVOSPLÁSTICOS – Materiais altamente explosivos, os quais tem em geral a consistênciade massa plástica. Normalmente trata-se de compostos de RDX e/ou PETN com umapequena quantidade de óleo ou agente plasticizante.

EXPRAY–Kit de campo, à base de aerosóis, comercialmente disponível, capaz de detectara maioria dos explosivos. A detecção é baseada na mudança de cor de papéisindicadores especiais quando tratados com um dos três tipos de spray. Emboramuito empregado, o sistema contudo tem limitações e não pode assegurar adeteção de diversos tipos de compostos como misturas de clorato de potássio,clorato de sódio e nitrato de potássio com açúcares, enxofre ou carbono.

Conjuntode valise com os sprays e seu emprego

GRANADAS – Bombas militares de pequenas dimensões,confeccionadas com alto-explosivo, facilmente transportáveis e que são lançadasnormalmente por arremesso manual. Com um poder de destruição desproporcional aoseu tamanho, também podem vitimar pela projeção de estilhaços.

I.E.D. – Improvised Explosive Device –Trata-se do engenho explosivo improvisado ou de fabricação caseira,extremamente traiçoeiros e perigosos, uma vez que não obedecem a nenhum padrão.Refletem a imaginação de seu construtor, podendo ser simples ou extremamenteelaborados e de difícil neutralização. Hoje, inúmeros “projetos simples” detais artefatos encontram-se largamente difundidos na rede mundial de computadores,aumentando a dor-de-cabeça de planejadores e elementos de segurança.


LOCAISPROPÍCIOS À COLOCAÇÃO DE BOMBAS – À rigor, uma bomba pode ser colocada emqualquer lugar. Com o propósito de colher os melhores benefícios de seu poderexplosivo, as bombas normalmente são colocadas discretamente no local que sedeseja destruir, posicionadas em locais onde podem causar extenso danomaterial. Em outra situação, quando se objetiva maximizar perdas de vidashumanas, podem constituir-se em volumes, aparentemente esquecidos em locais deampla circulação de pessoas. Na dúvida,desconfie de tudo aquilo que por ventura estiver destoando da paisagem local.

PIPEBOMB – Bomba improvisada, com o mesmo princípio da “Bomba de Nipple”, apartir pedaços de canos metálicos tampados em suas extremidades, recheados compólvoras ou mesmo com alto explosivos. Largamente empregada por terroristas ematentados pelo mundo afora, além dos danos pela violenta explosão, acarretasérios ferimentos pela projeção de estilhaços.

“Pipe-Bomb”,no momento de sua detonação durante as Olimpíadas em Atlanta (U.S.A.)

PLANODE CONTINGÊNCIA ANTI-BOMBA – Trata-se da normatização de medidas a seremempregadas em face de um alerta de bombas, o qual pode ser motivado porcomunicação anônima (telefônica, bilhete ou carta) ou pela descoberta de volumeou engenho suspeito. Um plano definirá atribuição e setores da equipe de busca,estabelecerá a forma de comunicar a ocorrência às pessoas do local (de forma aminimizar o risco de generalização do pânico) bem como todas as demais rotinasde pronta resposta julgadas necessárias, estabelecerá procedimentos deevacuação etc

SISTEMASDE DETONAÇÃO – As bombas, quanto ao seu sistema de detonação dividem-se em: DE ARMADILHA, DE TEMPO e CONTROLADOREMOTAMENTE.

– De armadilha: porcompressão, por descompressão, por tração, por descontração ou liberação (açãoinversa à tração), sísmico (ou vibratório), fotoelétrico ou anti-magnético;

– De tempo: por “hora certa”ou de retardamento (quando independer de mecanismo de precisão);

– De acionamento remoto,quer por fio ou como é o mais usual, a partir do emprego de controles de rádio(como os usados em portões de garagem ou em modelismo) e telefones celulares.

ã by Vinicius DominguesCavalcante 2002.

VINICIUS DOMINGUESCAVALCANTE, o autor, integra a Diretoria de Segurança da Câmara Municipal do Riode Janeiro. Graduando em Gestão da Segurança pela Universidade Estácio de Sá,RJ, é especialista em segurança de executivos e autoridades. Atualmenteresponde pela Gerência de Segurança Corporativa da rede de restaurantesfast-food BOB’S.

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