Seguridad personal de ejecutivos (En portugués)

Falar em seqüestrosna América Latina não se constitui propriamente numa novidade. As causas dosseqüestros costumam variar um pouco de acordo com cada país. Na Colômbia,motivos políticos e o narcotráfico são responsáveis por uma infinidade decasos, muitos dos quais, acredito, sequer cheguem ao conhecimento do grandepúblico. No Brasil, as estatísticas – principalmente no estado de São Paulo –vem registrando um alarmante crescimento dos casos em que bandidos principiantes,agindo improvisadamente, selecionam suas vítimas pelas roupas, tipo deautomóvel que usam (notadamente os novos ou importados mais caros) e oscapturam por algumas horas, numa modalidade de ação cujo resgate, normalmente,consiste em todo o dinheiro que possam retirar rapidamente em caixaseletrônicos. No Rio de Janeiro, as quadrilhas especializadas de seqüestradoresvem sendo sistematicamente desbaratadas por uma eficiente ação de inteligênciapolicial, porém, vez por outra, grupos especializados em assaltos à banco emesmo conhecidos traficantes de drogas “diversificam seus investimentos”,agindo contra alvos rentáveis como comerciantes, empresários etc. Por vezesessas ações surpreendem-nos por sua audácia e minucioso planejamento, noutras vezesacabam pondo à nú deficiências estruturais dos esquemas de segurança de pessoasa quem o cidadão comum julgava, até então, muitíssimo bem protegidas.

Nos dias dehoje, é comum acreditar que a moderna tecnologia de blindagens, sensoreamento,alarmes e circuito fechado de televisão – essencialmente recursoscomplementares no âmbito do planejamento de uma segurança – por sí só sejamsuficientes para proteger executivos ou pessoas de notável projeção quenecessitam de segurança. Algumas pessoas pagam extremamente caro por erros deavaliação dessa natureza. O Brasil é um dos países do mundo onde mais se blindaautomóveis e os executivos costumam depositar uma absoluta confiança nosveículos blindados, numa postura que certamente não seria corroborada por profissionalde segurança competente. Assim como seus aparentados militares, os tanques, oscarros blindados que compõe a numerosa frota de veículos de passeio da AméricaLatina também apresentam vulnerabilidades e limitações, não podendo, sozinhos,garantir a integridade de quem quer que seja contra o ataque de adversáriosinteligentes e bem equipados. A premissa do custo conspira contra aqueles queterão de gastar muito dinheiro a fim de pagar pelas fortalezas móveis, as quaisestão longe de ser inexpugnáveis. O grau de proteção de uma blindagem estádiretamente relacionado ao tipo de oposição que se pretenda enfrentar; optarpor resistir apenas ao disparo de armas curtas, estar capacitada para deterdisparos de fuzis, submetralhadoras ou, num grau de maior sofisticação,resistir ao impacto direto de projéteis de fuzis pesados (.50″) oufoguetes anti-carro, tudo deriva da necessidade operacional de quem está sendoprotegido, em face da sofisticação dos recursos postos à disposição daquelesque podem pretender contra ela atentar. Ainda que um veículo tenha seus vidrosprotegidos contra tiros de fuzil, a concentração de disparos numa área pequenavai ocasionar o colapso do vidro e os tiros passarão. Quando se trabalha sériae preventivamente, a primeira coisa que se aprende é que não se deve ficarimóvel, esperando pelos tiros, tendo em mente também que a agilidade dos carrosblindados sempre é comprometida pelo aumento de peso imposto pela blindagem.Independente do grau de espessura da blindagem, os condutores precisam seradestrados em técnicas de direção defensiva e evasiva, aprendendo a conduzir osveículos de forma atenta, a identificar e evitar bloqueios de estrada etc. Demuito pouco adiantará a vantagem de contar com um veículo blindado se o seuusuário, a exemplo de um famoso publicitário brasileiro seqüestrado em SãoPaulo fins de 2001, desenvolve uma rotina extremamente previsível, sem variarhorários e itinerários. Num outro caso famoso envolvendo o Prefeito da cidadede Santo André (da área metropolitana de São Paulo), o motorista do veículoblindado – o qual curiosamente se disse responder há anos pela segurança doalcaide – não foi capaz de furar um bloqueio mal feito dirigindo por maisalguns minutos mesmo após os ter tido um único pneu furado e ainda destravou asportas do carro!

Em 2001 um dosmaiores empresários brasileiros teve sua casa invadida e foi feito refém por umseqüestrador que dias antes havia capturado sua filha no mesmo local. O bandido, sem ser percebido, escalou o muroda luxuosa mansão (situada num bairro nobre de São Paulo), um alarme foiacionado , mas isso não impediu que o criminoso alcançasse seu objetivo. Oempresário resistia à idéia de reforçar o efetivo de segurança em sua casa e àequipe de segurança que a empresa de monitoramento de alarme mandou ao localapenas coube constatar que nada poderiam fazer. Câmeras de CFTV, sensores ealarmes, embora bastante desejáveis não substituem agentes de segurançarigorosamente selecionados, verdadeiramente bem treinados, convenientemente posicionadosno local, de forma correta e em instalações apropriadas.

É fato que,temendo pela sua própria integridade ou de seus familiares, executivos epessoas de notável projeção contratam seus agentes de segurança napressuposição, nem sempre muito abalizada, que estarão realmente protegidos. Hátempo considerável atuando na proteção de executivos e na instrução deprofissionais que realizam esta proteção é comum presenciar toda sorte decomportamentos dos «seguranças», os quais, em boa parte das vezes,não tinha sequer conhecimento da exata extensão da tarefa que lhes era creditada.Não sei se deveremos imputar aos agentes de segurança a culpa pelodesconhecimento de aspectos técnicos, às vezes, elementares de seu trabalho,unicamente pelo fato de que, nos diversos cursos pelos quais passaram (quandode fato passaram por algum) eles jamais foram instruídos acerca de taisassuntos. As escolas de formação literalmente «despejam» no mercadoagentes sem o necessário preparo e os bons cursos – os quais, mais completos,obrigatoriamente tem de custar caro – sofrem uma concorrência irresponsável eextremamente desleal.

Da mesma forma,em boa parte das vezes é a vontade do protegido que prepondera. Ao empresário,artista ou político muitas vezes escapam detalhes importantes do planejamento eda execução dos serviços de segurança pessoal e por não conseguiremconvencê-los da necessidade da adoção deste ou daquele procedimento, osguarda-costas acabam fazendo especificamente aquilo que seus patrões»acham», em oposição ao que seria tecnicamente desejável ou correto.

Diversospreconceitos ainda cercam e entravam as atividades da segurança … O nossocidadão comum raramente entende a necessidade de se criar normas para suaprópria proteção, não crê na importância ou na utilidade dos gastos com oequipamento e treinamento do pessoal empregado e muitas vezes só consegueenxergar um «imotivado» cerceamento das liberdades por conta dasações da segurança, as quais muito raramente são populares ou bem vistas.Segurança, na maioria das vezes, significa prevenção; não se consegue alcançaros objetivos da segurança contra a vontade ou sem a cooperação da pessoaprotegida e se torna excepcionalmente difícil conscientizar quem quer que sejanum meio onde o ideário corrente apregoa que «tais problemas jamaisacontecerão comigo», «isso é coisa que não acontece no Brasil»ou que as verbas para viabilização da segurança «seriam muito melhorempregadas em programas mais prioritários».

Quando se pensaem segurança pessoal normalmente nos remetemos à figuras corpulentas,»armadas
até os dentes» e que por sí só bastariam para garantir atranqüilidade daqueles que os pagam. Nada mais falso, um primeiro conselho útilque se poderia dar a alguém que assume a segurança de uma terceira pessoa seriao de esclarecer o seu segurado dos riscos que pesam sobre ele e da necessidadede que, em face desses riscos, o contratante deverá alterar suas rotinas emconsonância com as sugestões formuladas por sua segurança. Honestamente, sedeve deixar claro que a segurança não pode garanti-lo, a menos que ele seproponha a seguir certas determinações e assuma, em função do perigo que pesasobre ele próprio, que deverá levar uma vida marcada por certas»limitações». O segurado deverá sempre cooperar com os encarregadosde sua proteção pois de pouco adiantará a pretensa eficiência de um serviço desegurança sem a cooperação do segurado.

Se é verdadeque todo latino americano é potencialmente um técnico de futebol, creio quepossamos estender tais credenciais aos conhecimentos da área de segurança: todomundo ousa opinar sobre assuntos que pensa conhecer; formamos estereótipos emnossas mentes e depois raciocinamos de forma automática, levando emconsideração, é claro, tudo aquilo que já havíamos estabelecido previamentecomo certo! Faltará sempre ao nosso «técnico» de segurança a humildadede perceber que se trata de uma atividade complexa, que requer toda uma gama deconhecimentos e que tem uma cultura própria, na qual o cidadão comum, queimagina poder matar elefantes com espingardas («escopetas») decalibre 12 , dificilmente se aprofundará.

Estranhamente,segurança é uma prioridade de todos, mas que esbarra em uma metodologia deraciocínio tortuosa e contraditória. Pergunte a uma pessoa se ela tivesse defazer uma cirurgia plástica (e pudesse pagar) a quem ela recorreria? Perguntese ela necessitasse de um advogado para uma causa importante, quem elachamaria? Pergunte se tivesse que fazer uma cirurgia delicada, cardíaca ouneurológica, a qual cirurgião recorreria?…Invariavelmente todos os que sedispusessem a responder a enquete citariam exemplos exponenciais de competênciaem seus respectivos campos de atividade, todos profissionais de honoráriosacima da média. Porém poderia apostar que continuariam achando que osprestadores de serviço da área de segurança se constituem num ramo muitíssimomenos especializado e – se tivessem que pagar por um serviço de verdade –continuariam escolhendo seus consultores, agentes ou vigilância pelo menorpreço!

É o fato dehaver, praticamente, consenso geral de que «segurança não temciência» que torna as profissões do ramo uma clássica segunda opção detodos os que não conseguem colocação em outras áreas do mercado de trabalho.Supostamente, todo mundo pode ser profissional em segurança e daí não é de seestranhar quando ouvimos que alguém «não deu para nada na vida e foi sersegurança» ou outras «pérolas» …

A atividade deproteção de executivos e pessoas de notável projeção é algo de muito sério.Muitos, como já disse, pensam saber o que é um segurança pessoal. O nosso leigo(ou o nosso «técnico» de senso comum) crê no agente como uma enormemontanha de músculos trabalhados, bom em artes marciais, semi-alfabetizado esempre pronto a grunhir «Sim, Senhor!» quando seu empregador estalaos dedos – algo bem próximo do parrudo oriental do «Goldfinger».

O verdadeiroagente de segurança assemelha-se tanto ao Sr. Oddjob quanto uma detetive depolícia se assemelha à Kate Mahooney. A realidade é bem diversa daquela dosfilmes de Bruce Willis; no mundo real não se pode, ou se deve, sair por aíbrandindo armas e distribuindo pancadas. Força bruta, músculos de MisterUniverso e postura de durão podem até conseguir um emprego de»leão-de-chácara» numa casa noturna da moda mas, certamente, não sãoos principais atributos que se busca num especialista em proteção deexecutivos. Embora certamente existam exceções, a última coisa que um homem denegócios sensato vai querer é um tipo «bad-boy», «armário»ou lutador de sumô andando pesadamente (e atraindo uma enorme atenção) atrás desi, enquanto ele dá uma voltinha com os filhos no interior se um shopping center.Paletós escuros, braços cruzados no peito, óculos de sol espelhados e outrascaracterísticas de guarda-costas «Hollywoodianos» também podemconferir ao profissional uma imagem («hight profile») que raramente édesejável.

O objetivodeste artigo é esclarecer alguns aspectos da atividade de proteção deexecutivos, os quais nem sempre são de conhecimento dos ditos»profissionais» e na maioria das vezes são completamente ignoradospelas pessoas que contratam os serviço de segurança. Um dos propósitos é suscitaraos nossos profissionais a reflexão de que a tarefa de segurança pessoalmuitíssimo raramente vai requerer brutamontes armados, mas, sobretudo, carecede gente talentosa, técnica, observadora e inteligente, capaz de raciocinarpreventivamente, avaliar riscos de segurança e aplicar apenas a forçanecessária quando a situação assim o exigir.

OAGENTE DE SEGURANÇA

«Profissionalismo»é a palavra que descreve o que se requer de um homem (ou, em alguns casos, deuma mulher) que busca uma boa colocação na indústria de serviços de proteçãocomo Agente de Segurança Pessoal, Especialista em Proteção, Guarda-Costas ou»consultor». Infelizmente a palavra «profissionalismo»assumirá um cem número de significados, de acordo com a idéia que o elementofaça do trabalho que lhe cabe desenvolver. O conceito de profissionalismo tendemuito à subjetividade e a vaidade humana acaba nos deixando invariavelmenteconvencidos de que a maneira certa é sempre aquela segundo a qual nósprocedemos.

Mesmo tendo quecontrariar alguns «egos», não se pode sobrepujar a idéia de que é doagente a responsabilidade primordial pela proteção do segurado, mas é fato quetal objetivo deverá ser buscado inteligentemente, evitando ou contornando todasorte de perigos (ainda que apenas potenciais) que ameacem quem se coloca sobnossa guarda.

O agente desegurança não é o «capanga» ou o ‘pistoleiro» do segurado, nãolhe cabe sair por aí intimidando pessoas, sendo truculento, exibindo armas,dando tiros… O emprego da força pelo segurança deve ser visto como um recursoextremo, do qual o verdadeiro profissional apenas lançará mão quando (ou se)todos os recursos de diplomacia e prevenção vierem a falhar. O guarda-costas éo «evitador de problemas» que trabalha em prol do completo bem estare integridade da pessoa segurada. Cabe a esse profissional prevenir e agir nashipóteses de atentados (tentativas de assassinato, roubo, furto, sequestro,agressões ou desmoralização) bem como evitar acidentes de toda ordem, situaçõesembaraçosas ou contrariedades. De nada adiantará uma equipe de segurançacomposta de lutadores e atiradores excepcionais se o executivo, na eminência degraves complicações cardíacas, não tiver quem seja capaz de ministrar-lhe um»Isordil» e conduzi-lo, o mais rapidamente possível , para um bomhospital próximo.

O melhor»segurança» é prudente, estudou e conhece suas limitações e (porisso) tem medo! Devemos desconfiar daqueles «excepcionalmentedestemidos», que propagam aos quatro ventos os atributos de sua coragem,pois estes, na melhor das hipóteses, são ousados e imprudentes demais para aatividade de segurança pessoal. «Disposição» (como se costuma dizerna gíria) não é sinônimo de competência profissional e aquele segurança»grande, forte e bem armado» que imagina que o seu segurado estejaprot
egido apenas por estar em sua companhia, pode nem ter chance de descobrir aextensão de seu equívoco dada rapidez com que será fisicamente eliminado pelosoponentes quando de um atentado. O fato do agente de segurança ser»oriundo das Forças Armadas» ou ter sido policial também não ocredencia automaticamente para o exercício da atividade de proteção deexecutivos… Quando no âmbito da iniciativa privada, o agente não podepermitir-se agir com a mesma incontestável autoridade da qual se valia aoproteger um Ministro de Estado, Juiz ou General e vai ter de acostumar-se atrabalhar sem o aparato ou a «cobertura» legal que a segurançapública de dignitários lhe facultava. Embora as legislações se diferenciem emcada país, no mundo da segurança pessoal privada dificilmente poderemos pensarem fechar ruas, comboios com vários veículos, helicópteros, segurançaperimetral em apoio, grupamentos precursores, fuzís ou submetralhadoras…

Uma experiênciapregressa nas Forças Armadas ou Policiais sempre ajuda e pode conferir aosegurança muito conhecimento técnico e disciplina para o desempenho dasdiversas atribuições; mas o profissional jamais deverá esquecer-se de que oenfoque de trabalho na atividade da segurança pessoal privada é essencialmentediferente, e que o seu objetivo é justamente o de «proteger seu seguradoevitando os combates»! Vale ressaltar que os criminosos brasileiros dehoje, nos grandes centros, não demonstram o menor respeito pelos»antecedentes curriculares» dos encarregados da proteção executivauma vez que também se utilizam de equipamentos e táticas empregados pelasunidades de elite do exército, marinha e aeronáutica.

Embora nóstenhamos uma tendência a achar que somos heróis, no fundo de nossasconsciências sabemos que nem sempre estaremos convictos de correr riscos poruma terceira pessoa… Parafraseando o personagem de Sean Connery no filme»Os Intocáveis», o agente de segurança tem o dever de voltar paracasa, trazendo consigo seu segurado igualmente vivo e inteiro. Em se tratandode uma profissão tão perigosa, a melhor maneira de se alcançar tais objetivos étrabalhando com prevenção e astúcia.

Evitar oconfronto – mesmo tendo que bater em retirada – pode até não ser uma»coisa de homem com ‘H’ maiúsculo», mas é exatamente o que se esperado segurança quando surge uma situação de perigo. A integridade física doprotegido é a preocupação fundamental do segurança e um idiota, metido àmachão, que se lança em uma situação de combate que poderia ter sido evitada éa última pessoa que alguém com um mínimo de reflexão gostaria de ter comoprotetor. «PREVIDÊNCIA», «FRIEZA», «CAPACIDADE DEJULGAMENTO», «HABILIDADE DE CONTORNAR PROBLEMAS» e o BOM SENSODE PERCEBER QUANDO UMA SITUAÇÃO DE PERIGO SE CONFIGURA, são atributos própriosdo profissional de segurança pessoal. Se você leitor gosta de brigar, resolveseus problemas com a mão na arma, adora confusões e geralmente prefere estar»onde o bicho está pegando», aliste-se na Legião Estrangeira, no U.S.Marine Corps ou arranje um emprego como dublê no cinema.

Segue-se umapequena relação de atributos os quais se espera encontrar num profissional desegurança pessoal:

1) O homemprecisa ter um excepcional caráter. As pessoas que empregam um segurança estão- quase literalmente – colocando suas vidas nas mãos do agente ouguarda-costas, logo não se concebe empregar alguém em que não se possa confiarplenamente, principalmente se considerarmos que aqueles que protegem podem vira ser aliciados pelos inimigos do segurado.

2) O homem desegurança não pode ter qualquer vícios em drogas, narcóticos ou álcool.Quaisquer vícios irão desqualificá-lo pois a mente do homem de segurança deveestar sempre acurada, alerta e pronta para qualquer coisa. Um «drink»ou latinha de cerveja ocasional não serão problemas, mas não se poderá confiarnos reflexos de um «bom de copo» e todo o serviço estarácomprometido. Não se pode esperar que um segurança dirija bem ou atire, apóster ingerido álcool, com a mesma perícia que ele demonstra «de cara limpa».Embora muito boa gente diga que não se deixa afetar, está exaustivamenteprovado que a ingestão de bebida compromete reflexos essenciais para oguarda-costas. Quem quer que goste de beber, que o faça nas horas de folga!

Se sabemos quenuma situação crítica as nossas emoções podem nos pregar peças, imagine após oconsumo de bebidas alcóolicas! Um agente de segurança pode acovardar-se porcausa dos sentidos entorpecidos ou mesmo tornar-se mais violento e issocertamente não é aquilo que uma pessoa tem em mente quando se dispõe acontratar um segurança para si.

No caso jámencionado do seqüestro e assassinato do prefeito de Santo André, comentou-seque o condutor do veículo em que se encontrava o político – empresário, amigo e»responsável pela segurança do prefeito» – teria bebido uma garrafade vinho durante o jantar. Isso talvez explique o motivo do homem (que sesupunha experiente em segurança) manter a sua arma numa bolsa, no bancotraseiro da caminhonete Pajero; que não houvesse tentado rodar com o carromesmo depois de abalroado levemente por um veículo menor e ainda houvessepermitido a abertura das travas das portas do carro, cujo comando, interno,pertence ao motorista.

O uso de drogasou narcóticos dispensa comentários mas vale lembrar que os viciados normalmente»desenvolvem» ligações com a criminalidade e que tais ligações,associando o agente, comprometem diretamente o «esquema de segurança»e a integridade da pessoa protegida.

3) Oprofissional de proteção não pode apresentar registro de atividade criminosa oucondenação por prática de delitos. A natureza do trabalho a ser desenvolvidonecessita que a ficha do profissional seja limpa e que ele seja da completaconfiança daqueles a quem está vendendo seus serviços.

4) Quem querque se dedique às tarefas de segurança pessoal deve ser disciplinado, paciente,observador, minucioso e de boa memória. Tais características sãoimportantíssimas, não menos que o bom condicionamento físico, boa visão eaudição apurada. O agente não poderá ser negligente pois um único erro lhepoderá ser fatal. A impaciência leva a descuidos tolos ou a erros estúpidos ,nenhum dos quais poderá ser tolerado na profissão – extremamente crítica – deagente de segurança pessoal. O encarregado de proteger é aquele a quem cabeperceber detalhes e características sutís de pessoas e cenários, pois qualquerindício de que as coisas não estão como deveriam acaba por disparar um»alarme subconsciente», mesmo quando não se está de serviço. Devemosnos lembrar que as ações de criminosos profissionais costumam ser precedidas deuma vigilância (nem sempre lá muito discreta) sobre o alvo e a segurança que o-cerca; uma apurada «contra-vigilância» – capacidade do agente desegurança de perceber «se» e «quando» estiver sendoobservado – se constituirá num fator importante para evitar ser vitimado por umatentado. Pessoas aparentemente inocentes, mendigos, ambulantes, veículos,motociclistas, prestadores de serviço… tudo ou todos que não devessem estarem determinado lugar, podem ser um indício de um atentado prestes a ocorrer!

5) Qualquerpessoa que se empregue como segurança pessoal deve ser capaz de permanecer numpico de eficiência ao longo de um dia inteiro de atividades. Escalas detrabalho de «12 horas x nenhum descanso» ou «24 horas x umsuspiro» freqüentemente comprometem a resistência física do agente quedeve, de a
ntemão, acostumar-se a uma rotina de trabalho «apertada» enem sempre gratificante. A natural propensão do serviço de segurança pessoalrequer alguém que seja capaz de viver no horário de outra pessoa e nunca no seupróprio.

6) Oguarda-costas ideal, além de ser conhecedor de técnicas de combate desarmado,estar familiarizado com armamentos de porte e perito em técnicas de tiro emcondições de extremo «stress», estar atualizado quanto aosequipamentos de sensoreamento e alarme ou circuito fechado de TV, também deveter uma boa formação. Por boa formação não se entenda necessariamenteescolaridade pois há muita gente incompetente ou funcionalmente analfabetaostentando diplomas de cursos superiores. A formação do nosso homem tanto podeser resultado de sua experiência de vida, estudos por conta própria como tambémde sua escolaridade formal. Formação e apresentação se fazem necessárias porqueo segurança profissional circula com freqüência em ambientes de bom nível,comparece a festas e outros eventos com pessoas do mundo dos negócios, dapolítica e das colunas sociais e não «pega bem» para tais grupos sevirem associados à companhia de guarda-costas que lhes prejudiquem a imagem.Diversos artistas, executivos e pessoas de projeção tem agentes de segurançaque acumulam também as funções de secretário particular (ou que utilizam talatividade como «cobertura» para a atividade principal que é a deproteção pessoal) e tal situação não comporta profissionais sem um mínimo deapresentação e cultura. Boa parte das situações que embaraçam a pessoaprotegida são resolvidas com diplomacia e ninguém de bom senso contrata umsegurança que não sabe conduzir-se ou expressar-se.

7) O agente desegurança ou «guarda-costas» penetra, obrigatoriamente na intimidade dossegurados e deve manter uma postura crítica, se auto-policiando de forma a nãoexceder às intromissões absolutamente necessárias. Da mesma forma, deveresistir ao ímpeto de aparecer na mídia, posar para fotos expondo-se emdemasia. O profissional de segurança tem por obrigação ser discreto ereservado! Detalhes sobre a vida pessoal dos segurados, sobre a casa dosV.I.P.s e o que a mesma contém, a identidade dos familiares, amigos efreqüentadores da residência, hábitos de lazer, problemas domésticos ou detrabalho…se constituem em assuntos acerca dos quais não se deve comentar.Nunca é demais lembrar de exemplos como o do seqüestro do Embaixador dosEstados Unidos no Brasil, na década de 60, quando a inconfidência de umintegrante da segurança acabou munindo os terroristas de informações quefacilitaram a ação de captura.

A»intimidade» com os segurados também tem seu lado potencialmentenegativo; por mais amigo que o segurança venha a se tornar, vale lembrar queele não deve divertir-se ou beber com seu protegido, pois tais situações derelaxamento e descontração podem comprometer todo trabalho de proteção,colocando a vida de ambos em risco.

8) O segurançapessoal é por excelência um planejador. Cabe a ele estudar a vida do protegido,levantar previamente toda sorte de perigos ou ameaças que pesem sobre aqueleque estiver sob sua guarda e desenvolver procedimentos que impeçam oudificultem a materialização de tais adversidades. Planejar uma segurançapessoal vai requerer um estudo minucioso da atividade e dos ambientes dosegurado, das pessoas que o cercam, de suas amizades, adversários e todas estastarefas requerem um profissional acostumado a pensar e meticuloso. Qualquer umpode ser treinado para executar, porém a capacidade de planejar diferencia bonse maus seguranças… Todo encarregado de segurança pessoal deverá lembrar-se davelha máxima: «Onde quer que você tenha de atuar, que a sua mente já tenhaestado lá antes!…». Todos os cenários de atuação previsíveis devem serobjeto de estudo e os membros da segurança deverão estar conscientes de seuspapéis em face das contingências previstas.

Como chegar como segurado na sua residência? Como proceder para garantí-lo e aos seus enquantona residência? Como chegar e sair com o mesmo de seu local de trabalho? Comoprotegê-lo enquanto no local de trabalho? Quais cuidados devem ser adotados nosdeslocamentos? Como proceder no clube, restaurante ou casa de praia?… Todosaqueles que integram a equipe de proteção devem saber previamente quais osprocedimentos que deverão seguir à risca. Não devemos esquecer que, onde querque o segurado possa ser esperado, lá o perigo poderá estar à espreita; e osagentes tem por obrigação não se deixarem apanhar de surpresa.

É essencial queo agente estude o «modus-operandi» dos potenciais inimigos do seusegurado e seja capaz de antever-lhes os passos. Poder-se-á argumentar em favordos tipos «Rambo» mas não se pode esquecer que de pouco valerão sua»diposição» física e o seu armamento se eles vierem a ser atacados porum inimigo inteligente e disposto a explorar a vantagem da surpresa.

9) O agente desegurança deve trabalhar bem em equipe. Um único segurança, para quem realmentenecessita de proteção nunca será o mais adequado. À segurança pessoal, nosmomentos de perigo, cabe salvaguardar o segurado, cobrí-lo e retirá-lo do localda ameaça o mais rapidamente possível («Cobrir e Evacuar»). Se apenasum homem é designado para proteger, como ele poderá identificar algum atacante,colocar o protegido em lugar seguro ou mesmo conduzi-lo para o interior de seuveículo, eventualmente proporcionar disparos de arma de fogo para cobrir aretirada e ainda entrar no veículo e dirigir –tudo ao mesmo tempo? Oquantitativo mínimo desejável de guarda-costas para os riscos de baixaintensidade é de dois homens e consequentemente se torna necessário que osprofissionais contratados sejam capazes de funcionar num time. Mesmo levando emconsideração que, algumas vezes, os membros deste time podem não ser as pessoasmais dóceis e fáceis de conviver, os agentes de segurança em serviço deverãocolocar o «Espírito de Equipe» acima dos seus próprios egos.

10) Existe nosdias de hoje uma forte tendência para se avaliar o profissional de segurançapelo tipo ou calibre da(s) arma(s) que ele porta. Embora tal fator tenhaimportância em situações ou cenários específico, ele não é determinante naprofissão de segurança pessoal. As armas existem «para serem mantidas nocoldre»; o bom agente é um bom atirador mas, conhecendo as implicações douso da arma, dificilmente a exibirá e apenas fará uso da mesma em último caso.Se houver real necessidade de utilizar a arma, vai pesar muito mais a suaperícia como atirador e a sua capacidade de efetuar disparos precisos contraseus alvos. Mao-tsé- tung já dizia que as armas fazem menos diferença que acapacidade ou a competência dos elementos que a utilizam e mesmo não querendodizer com isso que se possa sair por aí no Rio de Janeiro protegendo umempresário com um velho revólver de calibre .22, o fato de portar uma moderna»Wondernine», uma UZI ou um AR-15 não faz de ninguém um segurançapessoal eficiente.

TREINAMENTODOS AGENTES DE SEGURANÇA

Embora sejamuitíssimo comum encontrarmos pessoas no ramo da segurança que se imaginamextremamente profissionais, capazes, fortes e astutos, anos de experiênciademonstram que, na maioria das vezes, tais elementos não possuem nenhuma dasqualidades que apregoam. O bom segurança sabe que deve estar em constanteaperfeiçoamento! Humildade é uma característica extremamente importante paraalguém que está em constante aprendizado, buscando o conhecimento de novastécnicas, equipamentos, bem como se mantendo informado das técnicas e t
áticasempregadas por aqueles elementos que podem, algum dia, vir a atentar contra oseu protegido.

O agente desegurança deve acostumar-se a esperar pelo inesperado. Jamais deve subestimar acapacidade de seus adversários e por isso tem em mente que precisará treinarsempre, para fazer frente a uma confrontação que não tem dia e nem hora praacontecer. A excelência nos padrões de tiro e nas técnicas de combate desarmadosó pode ser obtida com treinamento e reciclagens periódicas. Em nosso ramo deatividade, de pouco importa que o guarda-costas algum dia foi capaz de fazer(como aqueles que se dizem peritos atiradores dos tempos de serviço militarobrigatório) , mas sim o que ele seria capaz de executar se a situação críticareal se manifestasse neste exato momento. O fato do agente gabar-se de ter sidocapaz de » nos velhos tempos», arrancar o fundo das garrafas devidro, colocando precisamente o seu tiro pelo gargalo das mesmas, de nadavalerá se ele não puder, hoje, efetuar um saque rápido e apresentar umarazoável precisão de disparos contra alvos humanos, sobretudo levando emconsideração que terá muitíssimo menos tempo para isso do que quando atingia aspeças de vidro, as quais jamais revidavam.

Embora saibamosque o treinamento sempre se constitua num grande gasto para quem contrata umbom serviço de segurança, trata-se de um investimento importante, para garantirque a equipe de segurança esteja sempre pronta para levar à cabo o que dela seespera. Treinamento e adestramento são indispensáveis; o fato de queadversidades não acontecerem todos os dias acaba fazendo com que os segurançasrelaxem sua atenção e comprometam a sua capacidade de reação. O treinamentodesperta o interesse dos profissionais, mantém os homens mais motivados,alertas e com moral mais elevado.

Toda sorte deproblemas e grau de dificuldade com que um profissional de segurança puderdeparar-se na vida real deve ser objeto de simulação e antecipado nostreinamentos. Exercícios de deslocamentos à pé em formação, embarque edesembarque de veículo sob fogo, de » cobrir e evacuar» ,interposição entre o agressor e o protegido, defesa de agressão com faca,desarme de arma de fogo à curta distância, imobilização, saque e tiro de prontaresposta, tiro barricado, tiro embarcado… tudo deve ser preferencialmentepassado aos agentes nos treinamentos. Uma vez assimiladas as técnicas, elasdeverão ser praticadas com a maior regularidade que os afazeres da equipepermitirem.

Técnicas demarciais de defesa pessoal como o KOMBATO (www.kombato.com), desenvolvida noBrasil e extremamente voltada para a nossa realidade de serviço, representam oque este autor conhece de melhor para o treinamento de agentes de segurançapessoal.

Embora alegislação brasileira vigente estabeleça a obrigatoriedade de reciclagens(adestramentos) anuais de tiro para agentes de segurança, tal periodicidade nãogarante que os homens estejam prontos e capacitados para fazer frente a umaconfrontação real. Melhor será se o homem puder exercitar-se no mínimotrimestralmente, disparando ainda que apenas alguns tiros com munição viva,para manter seus reflexos. Embora armas de fogo sejam uma espécie de «último recurso» , o agente de segurança deve estar bem qualificado paraportá-las e delas fazer perfeito uso se a situação tática assim o exigir.

EQUIPAMENTOS EMPREGADOS NA SEGURANÇAPESSOAL

Não existe uma» regra» no que se refere aos equipamentos e recursos postos àdisposição de uma equipe de segurança. Assim como dissemos que as dificuldadesdo dia à dia de uma segurança devem ser antevistas no treinamento, cadasituação demandará a necessidade de materiais ou equipamentos cuja obtenção e autilização dependerão diretamente dos recursos financeiros disponibilizados bemcomo da inventiva dos membros da equipe de segurança. Além de veículoscompatíveis com as necessidades do segurado e de sua escolta (uma vez de que denada adianta manter o segurado num Audi, escoltado por agentes num carropopular de 1000 cilindradas), meios de comunicação segura, coletes à prova debalas, boas armas e munições de elevado desempenho devem fazer parte da dotaçãoda equipe de segurança.

Comoprofissional de segurança e entusiasta das armas de fogo, não me agrada alimitação de calibres para o uso permitido, a qual, é claro, atinge apenas aosque seguem o disposto na lei, nunca aos assaltantes, seqüestradores eterroristas. No Brasil há uma severa restrição para os calibres que podem serlegalmente portados na segurança privada. Embora não seja muito confortávelportar semi-automáticas em calibre .380″ ante a perspectiva daconfrontação bandidos armados de fuzis FAL, AK-47, AR-15, submetralhadoras epistolas .45″ACP, .40″ S&W e 9mm Parabellum, resta-nos manterníveis de atenção e proficiência que nos permitam efetuar disparos certeiros eneutralizadores antes de nossos adversários conseguirem fazê-lo, tentando assimcompensar essa situação desigual.

Se é verdadeque gosto não se discute, eu diria que preferências quanto às armas também! Nãopretendo cair na tentação de apontar qual melhor arma para um agente desegurança, se o revólver no calibre .38″SPL ou a pistola no calibre 9mmCurto (.380 ACP). O revólver de cano médio com munição » +P» ou»+P+» apresenta índices de transferência de energia sobre o alvobastante superiores, embora com a visível limitação da quantidade de tirosdisponíveis. Em algumas ocasiões, apenas revólveres de canos curtos podem serdissimuladamente portados. Por outro lado, a pistola semi-automática permiteuma maior quantidade de disparos, os quais, com munições de elevado desempenhopodem compensar (em parte) o pouco rendimento do calibre. Infelizmente há paísesem que a importação de munições para propósito de defesa é proibida e talrestrição, se não existir, principalmente no tocante à munição das pistolas,pode permitir o emprego de hydra-shocks, magsafes, cor-bons,omega-stars, ou mesmo as silvertips, particularmente inestimáveispara os usuários das semi-automáticas em calibre 7,65mm (.32ACP). Finalizando,as considerações sobre armas de porte, acredito que a melhor arma – pistola ourevólver – seja aquela com que o agente de segurança esteja efetivamentefamiliarizado, que consiga portar dissimuladamente, num calibre que tenha umrazoável “stopping-power” e da qual saiba fazer perfeito uso quando fornecessário.

Bastões de tipotelescópico, «soco-inglês», armas atordoantes de eletrochoque (nãoletal, de altíssima voltagem porém com amperagem muito baixa) e aerosóis depimenta também são recursos úteis para uma equipe de segurança, embora estesúltimos, no Brasil, também não estejam disponíveis para emprego civil.

Os veículosdeverão ser mantidos em excelentes condições mecânicas e devem estar munidos depneus estepes suplementares (no caso dois, principalmente para o caso deviagens), estojos de primeiros socorros (com analgésicos, remédios para enjôos,diarréia, moderadores de pressão etc), caixa com ferramentas, lanternas, mapasrodoviários, mudas de roupa para os agentes e tudo mais que os agentes puderemachar necessário como binóculos, máquina fotográfica, detector de metais oudetector de escutas, munição de reserva para as armas, «speedloaders» para os revólveres e carregadores sobressalentes para as pistolasetc…

Uma vez que osagentes de segurança não estão com seus Vips apenas para protegê-los deseqüestros tiros, facadas e pancadas, a imagem a reputação e a privacidade dossegu
rados também se constituem em objetos de proteção por parte das equipes desegurança. Hoje em dia, com a vigilância de detetives particulares,chantagistas, «repórteres investigativos» e escutas clandestinas(«Grampos») se transformando numa verdadeira febre, a proteção dosegurado contra a bisbilhotice e as intromissões indesejadas à sua privacidadetambém se tornam extremamente essenciais, havendo necessidade de que asegurança esteja dotada de meios para provir a » varreduraeletrônica» dos ambientes do protegido, de seus telefones etc.

«ESQUEMASDE SEGURANÇA»

Um esquema desegurança deve ser entendido como um conjunto de medidas – em sua maioriapreventivas – que visem proteger nosso segurado de uma série de ameaçasprevisíveis pela segurança. Tal planejamento vem a exigir do agente desegurança a identificação de potenciais focos de antagonismo que possam atingira pessoa protegida; avaliar qual a importância ou projeção da pessoa numcontexto sócio-político-econômico; quem quer que tenha razões para temê-la ouodiá-la; saber quem ou quais grupos podem pretender atentar contra aintegridade da pessoa segurada; quais os objetivos dos autores; avaliar asmotivações e os recursos disponíveis dos quais os adversários poderão lançarmão para atingir seus objetivos etc. Não se deve iniciar qualquer»atividade de campo» sem que essas indagações hajam sido objeto dediscussão e análise minuciosa. O objetivo desses estudos é estabelecer umaforma de atuação para a equipe de agentes que permita uma oposição eficaz aoseventuais agressores, desencorajar-lhes a ação ou, em último caso, enfrentá-loscom chance de sucesso.

Poder-se-árecomendar uma metodologia para análise de riscos e planejamento:

a) Inicialmenteprocure definir quais as potenciais ameaças que pesam sobre a pessoa protegida;

b) Avalie asameaças que foram explicitadas em termos de probabilidade de se materializarem.Lembre-se de que nem tudo que é possível de acontecer também o é provável!!!

c) Avalie avida pública do cliente e veja as possibilidades de perigo que ela pode acarretar;

d) Avalie avida privada do cliente;

e) Avalie ograu de vulnerabilidade e riscos dos «locais base» do protegido (comoa residência, o escritório, a fábrica e casa de veraneio) tendo em mente amáxima que estabelece que «onde você puder ser esperado, lá o perigo podelhe espreitar»;

f) Avalie osprocedimentos de segurança existentes;

g) Liste umconjunto de sugestões para contornar as deficiências constatadas e remeta-as aosegurado. Faça-as acompanhar de notícias da mídia que exemplifiquem a inadequaçãodos procedimentos e recursos existentes. Lembre-se de que é muito mais fácilpara um segurado que não entende de segurança visualizar o exemplo de umconhecido roubado, assassinado ou seqüestrado.

h) Enuncieescrupulosamente as necessidades de equipamentos, treinamentos e quaisquerrecursos, levando em consideração que a proteção não deve se constituir numônus pesado demais para as finanças do protegido;

i)Implementação dos novos procedimentos de segurança: Planos operacionais para aequipe de segurança, normas de procedimento para os demais funcionários,medidas de segurança na residência, escritório etc… Coloque tudo no papel, dêconhecimento a quem tiver de saber e cobre o cumprimento!

Concluindo, umasegurança pessoal profissional e tecnicamente estruturada pode trazer aoexecutivo, artista ou mesmo ao político incontáveis benefícios. Uma boasegurança garantirá a manutenção da agenda do executivo e eventualmente atéauxiliará o segurado em questões da segurança, inteligência e contra-espionagemempresarial. Existe uma idéia mítica de que melhores guarda-costas necessariamentedevem provir da América do Norte, Europa ou Oriente Médio… Os Profissionaissérios, competentes e efetivamente qualificados para proporcionar uma proteçãonos moldes a que nos referimos neste artigo, existem também na América Latina edeveriam ser mais solicitados em face de sua verdadeira especialização.

Segurança écoisa séria! Qual empresário, executivo ou artista se imaginará realmenteprotegido, na companhia de um elemento pretensamente habilitado, de baixa escolaridade,com um revólver na cintura e que recebe um salário de cerca de US$200,00? Averdadeira segurança nunca é barata e nessa atividade a improvisação pode serexcepcionalmente danosa para aquele que, ingenuamente ou “por economia»,sem saber o que esperar de um autêntico profissional, confiar sua própriaguarda e a de seus entes queridos a alguém sem qualificação.

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